Primeira Entrada - Diário de um Quase Talvez Futuro Poeta

Decidi me declarar à mim mesmo. E descobri que seria terrivelmente mais difícil de fazê-lo sem me declarar, também, ao mundo. Esse é o meu grito, o que eu penso de cada espeto, borboleta atravessando minha alameda, assim como qualquer largata ou taturana interna que espero desvendar por essa minha caminhança contínua. Não que eu vá contar também sobre qualquer farpa - afinal, existem pormenores que sempre são tirados das boas histórias, (o que essas palavras tanto sonham em um dia vir a ser). Mas provavelmente mencionarei os poucos morcegos com quem torço dançar e das consequentes mordidas que posso acabar por levar, ou sobre uma outra daquelas lembranças que, simplesmente pelo valor que têm, pedem pra ser guardadas, nem que em um diário de semi-confidências.
Chega de metalinguismo.

Era quase engraçado o fato de que não carregavam espadas. Manuseavam hastes. Corrigindo, não eram hastes, tinham também uma tábua com canudos (?) nas pontas, e os estranhos seres militarmente laranja-neonizados pareciam, por mais insano que soe, sambar com suas deformadas lanças. E por fim, mas de maneira nenhuma menos importante, Andrômeda que me perdoe se não enfatizar o quão suspeito era, eles usavam as pontas dos canudos na parte inferior da arte pra espanar, poucas vezes corpos, mas principalmente resquícios do que aqueles terríveis terráqueos usam pra envenenarem à si mesmos. São realmente criaturas curiosas. Acredita que alguns ainda acham estar ajudando seus enviados ao jogar sua imundice onde bem entendem? Que creem mesmo estar ‘criando’ trabalho pra eles? Que tipo de lógica é essa em que se ‘cria’ um trabalho pra um semelhante ao invés de facilitar o que o similar teria de qualquer forma de fazer?!
Começo a duvidar veemente da esperança que você insiste em manter nesses tais humanos.
Os enviados estão acomodados a limpar as marcas que os pequenos monstros pedantes não relutam ao deixar. Vão seguindo, com sorrisos nos rostos pra quase nenhum ‘bom dia’ ouvir. É de dar medo, o caos que aqueles círculos brilhosos e retângulos coloridos causaram/ainda causam/vão causar na rotina que eles chamam vida. Só me é estranho… Achava que mesmo guerreiros transcendentais teriam espadas, lanças ou talvez machados.


@19, Aug